
Programas de conscientização limitados deixam funcionários expostos a golpes de engenharia social; tema foi abordado em encontro de gestores de TI em Fortaleza, no Ceará
Equipes bem preparadas são o pilar do sistema de segurança cibernética de qualquer empresa. Afinal, pequenos deslizes humanos podem significar grandes vazamentos de dados. No entanto, muitos programas de conscientização em cibersegurança se resumem a simulações periódicas de phishing por e-mail e a treinamentos anuais de poucos minutos. Enquanto isso, do outro lado, criminosos desenvolvem abordagens cada vez mais sofisticadas para aplicar golpes por telefone, aplicativos de mensagem, perfis em redes sociais e áudios e vídeos feitos com IA, avalia Cassio Brodbeck, CEO do Grupo OSTEC, empresa especializada em cibersegurança.
O cenário de fraudes no País ajuda a dimensionar o problema. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil passou de 927.898 casos de estelionato em 2020 para 2.261.055 em 2025, alta de cerca de 144% em cinco anos, ou seja, média de 258 casos por hora, cerca de quatro a cada minuto. A maioria das vítimas é pessoa física, mas as técnicas de manipulação usadas nesses casos, conhecidas como engenharia social, são as mesmas aplicadas contra funcionários para obter senhas, dados e transferências.
A educação digital para a prevenção a golpes foi tema abordado em painel realizado na última quarta-feira (7), em Fortaleza (CE), durante o evento Ferramenta não é estratégia: o ser humano como pilar de defesa, do grupo Wiser Tecnologia e Ciência de Dados e do Grupo de Gestores de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Ceará (GGTIC-CE).
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Conforme Sanzio Almeida, CIO do Grupo Wiser Tecnologia, o encontro reúne líderes que enfrentam desafios muito parecidos no dia a dia. “Quando falamos de cibersegurança centrada no ser humano, isso ganha ainda mais relevância, porque segurança não é apenas ferramenta ou tecnologia. Ela envolve cultura, comportamento, processos, liderança e conscientização”, afirma Almeida. “Esse tipo de iniciativa fortalece não apenas cada empresa individualmente, mas todo o ecossistema de tecnologia”.
Em vez de debater a implementação de ferramentas de mercado para combate a golpes, o evento trouxe à tona a importância do ser humano como a base da estratégia de defesa. “Não existe nenhuma ferramenta capaz de simular e conscientizar em todas as frentes e vetores de ameaça existentes, que vão de e-mail, a plataformas de mensagens e engenharia social”, destaca Brodbeck, CEO do Grupo OSTEC.
Atuação multidisciplinar
Em 2025, uma empresa de tecnologia do mercado financeiro sofreu um ataque que desviou cerca de R$ 800 milhões, considerado o maior da história do Brasil, após um funcionário ter vendido sua senha de acesso a criminosos, conforme investigação da Polícia Civil de São Paulo. Como foram usadas credenciais legítimas, o sistema de segurança não detectou atividade incomum na ocasião.
Casos como esse expõem a vulnerabilidade do fator humano. Para isso, a resposta mais eficaz começa com um diagnóstico que identifique quais áreas da empresa estão mais expostas e quais processos são frágeis. “Não adianta mandar um e-mail igual para todo mundo. Setores têm necessidades diferentes, maturidades diferentes, estão mais ou menos expostos”, diz Brodbeck. A partir daí, os testes de conscientização precisam reproduzir os canais que os criminosos de fato usam, incluindo aplicativos de mensagem, ligações telefônicas e validação de processos internos vulneráveis, como reset de senhas.
A preparação das equipes passa, ainda, por uma atuação multidisciplinar, onde o time de segurança e TI das empresas deve estar ao lado de Gestão e Recursos Humanos. “Ferramenta não é estratégia. Não dá para delegar para uma plataforma um programa de conscientização. A ferramenta pode apoiar, mas precisa estar dentro de uma estratégia que inclua diagnóstico, execução diversificada e gestão contínua, conforme mudam as técnicas de ataque e a própria operação da empresa”, conclui o executivo.
Sobre o Grupo OSTEC
Fundada em 2005, em Santa Catarina, a OSTEC é uma empresa brasileira especializada em soluções completas de cibersegurança, com mais de 2 mil clientes e atuação no Brasil e na América Latina. Ao longo de sua trajetória, evoluiu de uma base focada em software para um modelo orientado a serviços e resultados, integrando tecnologias próprias e de mercado em uma abordagem diversificada. Por meio do Grupo OSTEC, forma um ecossistema one stop shop de cibersegurança, que inclui as empresas Dédalo, Enorx, Deconve e Seguridad América, com soluções reconhecidas pelas certificações ISO 27001 e 27701 e consegue oferecer soluções que simplificam a operação de segurança e priorizam a proteção efetiva dos negócios.
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