
Avanço dos agentes de inteligência artificial desloca o trabalho humano para funções de análise, decisão e relacionamento, enquanto empresas precisam repensar processos e qualificar suas equipes
A discussão sobre inteligência artificial no mercado de trabalho começa a mudar de foco. Se, até pouco tempo, a principal preocupação estava em saber quais profissões poderiam ser substituídas pela tecnologia, a expansão dos chamados agentes de IA coloca outra questão em evidência: o que acontece com o trabalho quando a tecnologia deixa de apenas auxiliar o profissional e passa a executar tarefas?
Agentes de IA são sistemas capazes de realizar etapas de um processo com determinado grau de autonomia, como analisar informações, acompanhar fluxos, gerar conteúdos, fazer verificações e emitir alertas. Com essa evolução, a tendência é que o profissional deixe de concentrar sua jornada em atividades repetitivas e passe a assumir uma posição mais voltada à definição de objetivos, supervisão, análise e tomada de decisões.
O movimento já aparece em pesquisas sobre o futuro do trabalho. No Work Trend Index 2026, da Microsoft, que ouviu 20 mil trabalhadores que utilizam IA em dez países e analisou trilhões de sinais de produtividade do Microsoft 365, a empresa aponta que, à medida que agentes assumem a execução, aumenta o espaço para que os profissionais direcionem o trabalho, tomem decisões e sejam responsáveis pelos resultados.
Amazon.com.br
Notebook ASUS Vivobook GO 15, Intel Celeron Dual Core N4500, 4 GB, 128 GB SSD, W11 Home, 15,60" LED, Rose Pink - E510KA-BR833WS
Amazon.com.br
Samsung Galaxy Book4 Intel® Core™ i5-1335U, Windows 11 Home, 8GB, 512GB SSD, Iris Xe, 15.6'' Full HD LED, 1.55kg*.
Amazon.com.br
Acer Aspire Go 15 Notebook 15.6" Intel Core i5 13ª Geração 16GB Windows
Para Paulo Furiati, Gerente de Tecnologia da Multimarcas Consórcios, a transformação mais importante não está simplesmente na quantidade de tarefas que podem ser automatizadas, mas na mudança da natureza do trabalho. “Quando a tecnologia assume uma atividade repetitiva, o ganho não está apenas no tempo economizado. Existe a possibilidade de deslocar o profissional para uma atuação em que sua capacidade de análise, interpretação, criatividade e tomada de decisão tenha mais peso. O desafio das empresas passa a ser preparar as pessoas para esse novo papel”, afirma.
Carreira e Tecnologia
Essa mudança também altera a relação entre profissionais e tecnologia. Em vez de utilizar a IA apenas como uma ferramenta acionada pontualmente, trabalhadores passam a coordenar sistemas capazes de executar diferentes etapas de uma atividade. Um levantamento da Microsoft realizado em 2025 com 31 mil trabalhadores de 31 países mostrou que 41% dos líderes esperavam que suas equipes passassem a treinar agentes de IA nos cinco anos seguintes, enquanto 36% previam que os funcionários também assumiriam a gestão desses agentes.
Na prática, isso significa que algumas competências ganham importância. Saber formular problemas, avaliar resultados produzidos pela IA, identificar inconsistências, estabelecer critérios de qualidade e decidir quando uma decisão deve permanecer sob responsabilidade humana tendem a se tornar tão relevantes quanto o domínio da própria ferramenta.
Uma pesquisa da McKinsey publicada em 2025 reforça essa mudança. Segundo a análise, tecnologias disponíveis atualmente poderiam, em teoria, automatizar atividades que correspondem a mais da metade das horas trabalhadas nos Estados Unidos. Os pesquisadores, porém, ressaltam que isso não equivale à eliminação de metade dos empregos: significa que uma parcela significativa das atividades que compõem as ocupações pode mudar de natureza. Mais de 70% das competências buscadas pelos empregadores atualmente são relevantes tanto em atividades que podem ser automatizadas quanto nas que não podem, segundo o estudo.
É nesse ponto que a preparação das equipes se torna uma questão estratégica. A tecnologia pode executar uma tarefa, mas alguém precisa definir qual problema deve ser resolvido, estabelecer parâmetros, acompanhar o resultado e assumir a responsabilidade pela decisão final.
“Existe uma diferença importante entre automatizar uma tarefa e simplesmente retirar uma pessoa daquele processo. Quando o trabalho muda, é preciso também mudar a forma como as equipes são preparadas, quais competências são valorizadas e como os profissionais participam das decisões. A tecnologia pode cuidar do volume e da repetição, mas o contexto, o julgamento e a responsabilidade continuam sendo fundamentais”, explica Paulo.
Na Multimarcas Consórcios, por exemplo, agentes de IA vêm sendo desenvolvidos para assumir fluxos repetitivos em diferentes áreas. No marketing, a tecnologia já é utilizada em comunicações recorrentes, com agentes treinados para seguir identidade visual e tom de voz da empresa. Em outras áreas, como gestão de grupos e faturamento, o desenvolvimento contempla atividades como checagem de dados, acompanhamento de fluxos e geração de alertas. O objetivo declarado é retirar tarefas operacionais do cotidiano das equipes e ampliar o espaço para atividades de maior complexidade.
Novo modelo de trabalho
O exemplo ajuda a ilustrar uma mudança que ultrapassa a adoção de uma nova ferramenta. A chegada dos agentes de IA também exige que as empresas revejam seus próprios processos. Em estudo sobre organizações orientadas por agentes, a McKinsey aponta que o novo modelo envolve pessoas e agentes trabalhando conjuntamente e exige mudanças na maneira como as empresas estruturam funções, processos e competências.
O próprio mercado de trabalho já dá sinais de que a transformação será acompanhada por uma combinação de criação, substituição e mudança de funções. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que, até 2030, transformações estruturais deverão criar 170 milhões de postos de trabalho e deslocar 92 milhões, resultando em um saldo líquido positivo de 78 milhões de empregos. O levantamento também aponta que, além das competências tecnológicas, habilidades humanas como pensamento analítico, criatividade e colaboração estarão entre as competências relevantes para o futuro.
Nesse cenário, a pergunta sobre o impacto da IA no emprego passa a ser acompanhada por outra: como as organizações vão preparar seus profissionais para trabalhar ao lado de sistemas que executam parte crescente das atividades? Para o especialista em tecnologia, a resposta passa menos pela disputa entre pessoas e máquinas e mais pela definição de responsabilidades entre os dois lados.
“A tendência é que a tecnologia avance cada vez mais sobre aquilo que é previsível, repetitivo e baseado em grandes volumes de informação. Isso não elimina a necessidade do profissional; muda o que se espera dele. O diferencial estará cada vez mais na capacidade de interpretar, questionar, decidir e transformar informação em ação”, conclui.
Descubra mais sobre MTI Tecnologia
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





