Validar conhecimentos técnicos se torna desafio na contratação de profissionais de tecnologia

Escassez de profissionais e rápida transformação das habilidades ampliam a procura por modelos de capacitação que combinem formação, prática aplicada e comprovação técnica

A dificuldade para contratar profissionais de tecnologia não se resume à quantidade de candidatos disponíveis. Em um mercado marcado pela rápida atualização de ferramentas, linguagens e processos, as empresas também enfrentam o desafio de identificar se o conhecimento apresentado em currículos e entrevistas pode ser aplicado em situações concretas de trabalho.

Levantamento divulgado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais, a Brasscom, mostra um descasamento de 30,2% entre demanda e oferta de profissionais de tecnologia no Brasil. De 2019 a 2024, o mercado demandou 665,4 mil profissionais, enquanto 464,5 mil pessoas concluíram cursos superiores ou técnicos no período analisado. Segundo a metodologia da entidade, considera-se que o estudante formado em determinado ano ingressa no mercado no ano seguinte.

O problema ocorre ao mesmo tempo em que as competências exigidas dos trabalhadores passam por mudanças frequentes. Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, os empregadores estimam que 39% das competências consideradas essenciais atualmente serão transformadas até 2030. Para 63% das empresas consultadas, a lacuna de habilidades já representa a principal barreira à transformação dos negócios.

Assim, cursos livres, treinamentos corporativos e certificações ganharam espaço como instrumentos de atualização profissional. A ampliação da oferta de conteúdo, no entanto, trouxe uma nova questão para profissionais e recrutadores: como diferenciar a conclusão de um curso da capacidade efetiva de executar as atividades exigidas por uma função?

A discussão é relevante na área de Quality Assurance, ou QA, responsável por estruturar e acompanhar a qualidade de sistemas e aplicações. Embora ainda seja frequentemente associada apenas à identificação de falhas, a atividade pode envolver análise de riscos, definição de estratégias de testes, automação, avaliação de desempenho e integração dos controles de qualidade ao ciclo de desenvolvimento.

Em empresas que operam plataformas financeiras, sistemas industriais ou serviços digitais de grande escala, erros de software podem provocar indisponibilidade, retrabalho, prejuízos financeiros e impactos sobre usuários. Por isso, avaliar um profissional de QA exige mais do que verificar se ele conhece conceitos ou ferramentas isoladas.

Celular Samsung Galaxy A17, 128GB, 4GB, 50MP Tela 6.7", IP54 - Azul
Celular Samsung Galaxy A17, 128GB, 4GB, 50MP Tela 6.7", IP54 - Azul
Tablet VAIO TL10 8GB 128GB Octa-Core, Tela 10.4” 2K, 4G WiFi, Câmera 8MP + Selfie 5MP, 7000mAh, Android 13, com Teclado de Conexão Inteligente – Preto
Tablet VAIO TL10 8GB 128GB Octa-Core, Tela 10.4” 2K, 4G WiFi, Câmera 8MP + Selfie 5MP, 7000mAh, Android 13, com Teclado de Conexão Inteligente – Preto
Notebook Dell 15 DC15-C3100-A20, Intel Core 3 100U, Windows 11 Home
Notebook Dell 15 DC15-C3100-A20, Intel Core 3 100U, Windows 11 Home
Computador All in One 27" Full HD Intel I9 11900 SSD 512GB, 16GB RAM
Computador All in One 27" Full HD Intel I9 11900 SSD 512GB, 16GB RAM

Da formação à demonstração prática

Uma das iniciativas que procuram aproximar aprendizado e demonstração de competências é a Wisedot, plataforma de capacitação e certificação profissional voltada a Quality Assurance. Criada por Roberto Hülsenbeck a partir de 15 anos de projetos reais e contratação de QAs, a plataforma combina uma trilha de estudos com uma avaliação baseada na execução de um projeto.

A formação possui sete módulos e 26 horas de conteúdo. A trilha aborda fundamentos de qualidade de software, metodologias ágeis, testes de aplicações web, mobile e APIs, lógica de programação, banco de dados, automação, desempenho, integração contínua e uso de inteligência artificial. Entre as ferramentas apresentadas estão Postman, Cypress, k6 e Appium, usadas em testes de APIs, interfaces, desempenho e aplicações móveis. A proposta, no entanto, não é limitar o aprendizado ao uso das tecnologias. Os participantes também trabalham com documentação, análise de riscos, registro de falhas, construção de portfólio e preparação para processos seletivos.

A capacitação é oferecida em aulas gravadas, permitindo que cada aluno organize o próprio ritmo de estudo. Há opções voltadas tanto para pessoas que desejam ingressar na área quanto para profissionais que já trabalham com qualidade de software e buscam aprofundar conhecimentos específicos. A certificação constitui uma etapa separada da conclusão das aulas. Em vez de responder apenas a questões conceituais, o candidato precisa atuar em um projeto que simula as responsabilidades de uma liderança de QA.

O ambiente utilizado na avaliação é o AcademyWallet, aplicação web que reproduz funcionalidades de uma carteira digital. A partir desse sistema, o candidato precisa planejar uma estratégia baseada em riscos, elaborar casos de teste, registrar falhas, automatizar testes de interface e API, avaliar desempenho e configurar processos de integração contínua. O modelo procura observar não apenas se o participante conhece determinada ferramenta, mas como organiza o trabalho, documenta decisões e combina diferentes técnicas diante de um cenário próximo aos encontrados em projetos de tecnologia.

Formação contínua

As mudanças na forma de validar competências profissionais refletem transformações mais amplas no mercado de tecnologia e no desenvolvimento de software. “A transformação das competências não significa que os conhecimentos anteriores perderam valor de uma hora para outra. O movimento reforça, porém, a necessidade de formação contínua e de mecanismos capazes de mostrar como o profissional utiliza aquilo que aprendeu”, afirma Roberto Hülsenbeck. “Para profissionais, o desafio é construir uma trajetória que combine fundamentos, atualização técnica e experiência aplicada. Para as empresas, é desenvolver formas mais consistentes de reconhecer essas competências.”

Na área de QA, essa mudança acompanha a ampliação do próprio papel da qualidade no desenvolvimento de software. Quanto mais cedo riscos e falhas são identificados, menor tende a ser o impacto sobre as etapas posteriores de um projeto.


Descubra mais sobre MTI Tecnologia

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Obrigado pelo seu comentário.