
Leidivino Natal, CEO global da Stefanini Cyber, afirma que o fator humano segue sendo crítico, mas precisa ser preparado para um cenário em que ataques são orquestrados por inteligência artificial, com alto nível de personalização, automação e antecipação de comportamento
São Paulo, abril de 2026 – Mesmo com investimentos crescentes em tecnologia de proteção, o erro humano continua sendo uma das principais portas de entrada para incidentes de segurança. No entanto, em um cenário em que ataques são cada vez mais conduzidos por IA, com capacidade de aprender padrões, simular comportamentos e antecipar ações, o modelo tradicional de cibersegurança já não responde com a mesma eficácia.
Na prática, muitas empresas avançaram em ferramentas de segurança, mas ainda operam com um modelo reativo, centrado em perímetro ou tecnologia. Esse modelo ignora uma mudança estrutural: os ataques passaram a ser inteligentes, direcionados e preditivos, explorando comportamento, contexto e identidade digital em tempo real.
De acordo com Leidivino Natal, CEO global da Stefanini Cyber, o problema não está apenas nas ferramentas utilizadas pelas empresas, mas na forma como as pessoas interagem com os sistemas e com a informação no dia a dia — e muitas vezes o básico ainda não está sendo feito corretamente dentro das organizações.
“A cibersegurança vive uma mudança de paradigma. Não estamos mais falando apenas de ataques como phishing tradicional, mas de operações altamente sofisticadas, com uso de IA para personalizar comunicações, simular identidades confiáveis e explorar o comportamento das pessoas com precisão. Hoje, o criminoso digital se adianta em prever o comportamento do usuário para aplicar golpes mais eficazes”, afirma.
Do phishing em massa para engenharia social inteligente
“O phishing, por exemplo, uma das técnicas mais conhecidas de engenharia social, é um tema antigo, mas evoluiu significativamente com o uso de inteligência artificial, tornando-se mais personalizado, escalável e difícil de identificar, e continua sendo um dos vetores de ataque mais utilizados e extremamente eficaz. Hoje, vemos ataques baseados em credenciais, sequestro de contas e comunicações personalizadas que parecem reais, legítimas e confiáveis. O criminoso digital não invade sistemas sofisticados: ele convence pessoas”, ressalta.
A partir da experiência da Stefanini Cyber no apoio a organizações na proteção de ambientes corporativos cada vez mais complexos, o executivo reforça que a segurança precisa evoluir para um modelo contínuo, preventivo e orientado a risco, combinando tecnologia, inteligência e comportamento, com visibilidade constante e capacidade de antecipação.
“Mais do que detectar ou responder, as organizações precisam evoluir para um modelo preditivo, capaz de identificar a preparação de um ataque antes mesmo de sua execução. Esse é o novo patamar da cibersegurança impulsionada por IA”, complementa.
Nesse contexto, Natal destaca cinco práticas essenciais que vão além do básico e ajudam a preparar as organizações para um cenário em que a cibersegurança precisa operar na mesma velocidade ou antes dos ataques.
1. Treinamentos recorrentes e orientados por contexto
Muitas organizações ainda tratam a cibersegurança como um tema de treinamento anual ou apenas no onboarding. No entanto, as ameaças evoluem constantemente. Com o uso de IA, os ataques passaram a ser personalizados por perfil, cargo e comportamento, o que exige treinamentos dinâmicos, contextualizados e continuamente atualizados.
2. Simulações reais com ataques inteligentes
Uma das formas mais eficazes de educar equipes é reproduzir cenários reais de ataque.
Hoje, essas simulações precisam incorporar ataques baseados em IA, como comunicações hiperpersonalizadas, deepfakes e exploração de contexto corporativo, refletindo o nível atual de sofisticação das ameaças.
3. Cultura de verificação em um mundo de identidades simuladas
Ataques que envolvem fraude financeira têm crescido porque exploram confiança e contexto. Com IA, criminosos conseguem simular executivos, parceiros e fornecedores com alto grau de precisão, exigindo processos mais robustos de validação e confirmação de identidade.
4. Governança de dados e comportamento digital
Outro ponto crítico é o excesso de compartilhamento de dados sensíveis. Em um cenário AI-First, dados são o principal ativo, tanto para defesa quanto para ataque, e sua exposição pode alimentar modelos maliciosos que aumentam a eficácia das ofensivas.
5. Conscientização contínua com inteligência e antecipação
Mais do que treinamentos pré-estabelecidos, as empresas precisam manter o tema vivo.
Isso inclui o uso de inteligência e automação para alertar usuários sobre ameaças emergentes, padrões suspeitos e novas formas de ataque, criando uma cultura de vigilância contínua e adaptativa.
Para Leidivino Natal, empresas que não tratam a educação em segurança digital como prioridade acabam ampliando suas vulnerabilidades. “O desafio atual não é apenas proteger sistemas, mas acompanhar a velocidade e a inteligência das ameaças. Organizações que ainda operam com modelos tradicionais estão reagindo a um problema que já evoluiu. A cibersegurança precisa ser AI-First, preditiva e integrada ao negócio para realmente reduzir riscos”, conclui.
Sobre o Grupo Stefanini
O Grupo Stefanini é uma consultoria tech global que domina o uso de Inteligência Artificial e cocria soluções sob medida para seus clientes progredirem em sua jornada digital, combinando presença global, ampla expertise técnica e um portfólio completo de serviços. Presente em 46 países, com 23 delivery centers em 5 continentes e mais de 35 mil colaboradores em todo o mundo, a consultoria organiza suas soluções em sete unidades de negócios: Technology, Cyber, Data & Analytics, Financial Tech, Operations, Marketing e Manufacturing, formando um grande ecossistema de inovação que entrega resultados relevantes e duradouros aos seus clientes.
Com diversas plataformas proprietárias de Inteligência Artificial, organizadas principalmente na suíte SAI (Stefanini Artificial Intelligence), o Grupo Stefanini combina dados, automação e IA para impulsionar a transformação de ponta a ponta. O Grupo Stefanini tornou-se referência acadêmica com o case “Criando uma Estratégia de Ecossistema na Era da AI” pela INSEAD e até hoje é estudado em escolas de negócios globais. Para mais informações, acesse stefanini.com.
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