Análise preditiva com IA reduz “apagões” em operações que dependem de dispositivos móveis

Monitoramento contínuo permite identificar sinais de degradação e transformar manutenções emergenciais em intervenções programadas em setores críticos

Operações que dependem de dispositivos móveis enfrentam um desafio que vai além da gestão dos equipamentos: quando um smartphone, tablet, coletor de dados ou terminal para de funcionar em campo, parte da operação pode parar junto. Em setores como varejo, logística, saúde e utilities, a disponibilidade desses ativos está diretamente ligada à continuidade do negócio.

Nesse cenário, a análise preditiva começa a ampliar o papel das plataformas de gestão de dispositivos corporativos. Além de monitorar e administrar os equipamentos, tecnologias de UEM (Unified Endpoint Management) podem usar os dados gerados pela própria frota para identificar sinais de degradação e antecipar falhas antes que elas provoquem impacto operacional.

Da manutenção reativa à preditiva

Tradicionalmente, boa parte dos problemas relacionados aos dispositivos é percebida quando o desempenho já foi comprometido ou o equipamento deixou de funcionar. A consequência é uma intervenção emergencial, com perda de produtividade e custos não planejados de suporte, manutenção ou substituição.

A análise preditiva inverte essa lógica ao acompanhar continuamente indicadores como degradação da bateria, consumo de memória, conectividade, comportamento de aplicativos e temperatura. A combinação desses dados permite identificar padrões e anomalias que podem indicar uma falha futura.

“O conceito não é novo, mas a aplicação em dispositivos móveis corporativos ainda é recente. A diferença está em usar dados de comportamento real para antecipar o que antes era tratado como imprevisto”, explica Vinícius Olivério, CTO da Urmobo, plataforma de gestão de dispositivos corporativos.

Segundo Olivério, a análise preditiva permite identificar sinais de degradação com antecedência. Com essa janela, a equipe de TI pode avaliar o dispositivo e programar uma intervenção antes que o equipamento comprometa a operação.

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Quando a falha de um dispositivo afeta toda a operação

O impacto é especialmente relevante em ambientes nos quais a mobilidade faz parte do processo produtivo. No varejo, a indisponibilidade de um terminal de pagamento ou coletor pode interromper vendas, reposição ou inventário. Na logística, um dispositivo utilizado por uma equipe de entrega pode comprometer atividades de uma rota. Na saúde, equipamentos móveis utilizados para acessar prontuários ou apoiar a dispensação de medicamentos exigem alta disponibilidade.

A escala torna esse desafio ainda maior. Em empresas com milhares de dispositivos distribuídos geograficamente, esperar pela falha significa lidar com ocorrências em locais e momentos imprevisíveis.

Ao antecipar esses eventos, a TI ganha margem para programar a substituição fora de horários críticos, evitar deslocamentos emergenciais de equipes técnicas e direcionar dispositivos em melhores condições às atividades mais sensíveis.

“A análise preditiva não elimina a necessidade de manutenção. Ela transforma manutenção emergencial em manutenção programada. Isso muda o custo e, principalmente, a previsibilidade da operação”, afirma Olivério.

Inteligência aplicada à gestão de dispositivos

Na prática, a análise preditiva combina os dados coletados continuamente pelos dispositivos com modelos capazes de reconhecer padrões de comportamento e identificar desvios. Uma queda progressiva de desempenho, travamentos recorrentes ou consumo anormal de recursos, por exemplo, podem funcionar como sinais de que determinado equipamento está caminhando para uma condição crítica.

A diferença para o monitoramento tradicional está justamente no momento da informação. Em vez de apenas alertar que uma falha aconteceu, a tecnologia busca indicar a probabilidade de um problema antes que ele interrompa o trabalho.

É essa lógica que a Urmobo aplica por meio do Odin AI, camada de inteligência artificial integrada à sua plataforma UEM. A tecnologia utiliza os dados da gestão dos endpoints para ampliar a capacidade de análise da frota e apoiar decisões preventivas das equipes responsáveis pelos dispositivos.

Atualmente, a plataforma gerencia milhares de dispositivos, incluindo operações enterprise com frotas superiores a 10 mil equipamentos.

Para Olivério, a evolução aponta para uma mudança mais ampla no papel das plataformas de UEM. “À medida que a gestão passa a antecipar o comportamento dos dispositivos, a TI deixa de olhar apenas para o estado atual da frota e passa a ter elementos para decidir o que fazer antes que o problema aconteça”, acrescenta.

Em operações cada vez mais dependentes de dispositivos móveis, essa capacidade amplia o papel da gestão de endpoints: além de manter equipamentos configurados, seguros e disponíveis, a tecnologia passa a fornecer informações para antecipar riscos e orientar decisões sobre manutenção e substituição. A tendência é que a previsibilidade se torne parte da própria estratégia de continuidade operacional, especialmente em frotas numerosas e distribuídas.

Sobre a Urmobo

Fundada em 2017, a Urmobo é uma empresa brasileira de tecnologia especializada em mobilidade corporativa e UEM (Unified Endpoint Management). Sua plataforma SaaS permite gerenciar, proteger e otimizar smartphones, tablets, notebooks, coletores de dados e dispositivos IoT em operações de grande escala, com atuação no Brasil e em países da América Latina.


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