
Pesquisa realizada durante o TDC Summit IA SP mostra que que mais da metade das empresas possui projetos de IA em produção, mas alucinações (48,3%), falta de conhecimento técnico (40,5%) e a baixa adoção de políticas formais de governança (36,4%) ainda desafiam as organizações
Privacidade e segurança dos dados são hoje a principal preocupação de profissionais de tecnologia diante do avanço da inteligência artificial nas empresas. O tema foi citado por 61,9% dos participantes da Pesquisa de Perfil Profissional realizada durante o TDC Summit IA SP, evento que reuniu desenvolvedores, lideranças técnicas e especialistas do setor. O receio aparece em um momento em que a IA passa a ocupar espaço crescente nas operações corporativas.
O levantamento ouviu 294 participantes, dos quais a maioria (29%) eram desenvolvedores, além de gerentes, diretores, engenheiros de software e especialistas técnicos. A pesquisa mostra que 56,3% das empresas já possuem projetos de inteligência artificial em produção. Deste total, 38,6% afirmam operar diversos projetos simultaneamente, enquanto 17,7% possuem pelo menos uma iniciativa ativa. Outros 17,1% estão na fase de pilotos e provas de conceito, e apenas 10,6% ainda não possuem projetos relacionados à tecnologia.
Além da segurança, os entrevistados demonstram preocupação com a confiabilidade das ferramentas. As alucinações, quando sistemas de IA geram respostas incorretas ou informações inexistentes, foram apontadas por 48,3% dos respondentes como uma preocupação. A falta de conhecimento técnico aparece na sequência, com 40,5%, seguida pela ausência de governança estruturada e pelos custos de licenciamento, ambos com 36,4%.
Os resultados sugerem que os desafios da adoção corporativa da IA não estão concentrados na tecnologia em si, mas em sua gestão. Embora mais da metade das empresas tenha projetos em operação, apenas 36,4% afirmam possuir políticas ou comitês formais de governança para inteligência artificial. Em outros 27,6% dos casos, essas estruturas ainda estão sendo implementadas.
Na avaliação de Yara Mascarenhas, CEO do maior encontro de desenvolvedores de software do país, o The Developer’s Conference (TDC), os dados expõem que a formação das equipes não acompanhou o ritmo do avanço da inteligência artificial nas organizações. “Se mais de 40% dos profissionais apontam a falta de conhecimento técnico como uma grande barreira, as empresas precisam agir rápido. Por isso, a melhor maneira de alinhar a agilidade da IA à segurança exigida pelas organizações é investir em capacitação para que os colaboradores estejam mais preparados para os desafios atuais”, afirma.
A executiva observa que o avanço da IA tem ampliado a necessidade de profissionais capazes de combinar conhecimento técnico com visão estratégica e capacidade de gestão. “É interessante notar que a falta de conhecimento técnico aparece entre as maiores preocupações dos participantes. O desafio agora é desenvolver competências para avaliar resultados, definir limites de uso e criar processos de supervisão. Quanto mais a IA se torna presente nas decisões de negócio, maior se torna a necessidade de pessoas preparadas para conduzir essa evolução”, garante Yara.
A CEO também defende que o amadurecimento da inteligência artificial nas empresas passa pelo compartilhamento de experiências e aprendizados entre profissionais do setor. Nesse contexto, eventos especializados têm desempenhado um papel importante ao conectar lideranças, desenvolvedores e empresas que já enfrentam, no dia a dia, os desafios de implementação, governança e uso responsável da tecnologia.
Sobre o TDC
O TDC é o maior encontro de desenvolvedores de software do país e conecta profissionais de tecnologia, líderes de comunidades, palestrantes, empresas e patrocinadores, com o objetivo de abrir espaços para o desenvolvimento tecnológico de cada região onde é realizado.
Descubra mais sobre MTI Tecnologia
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.








